Fico até emocionada ao ver que ainda hoje há quem faça julgamento de valores com maior despudor que aquele com o qual fumo meus cigarros. Parabéns aos que são donos da razão e conhecem inclusive a verdade do deus. Por favor, não mudem! Mantenham-se assim. É incomensurável a alegria da constatação de que as pessoas se preocupam tanto umas com as vidas das outras. AS VIDAS DAS OUTRAS... pena que essa preocupação não se aproxime de tornar-se solidariedade. Não me surpreenderia se fizessem coro ao arcebispo de Recife. Afinal, é claro que ele tem razão: a menina de nove anos, não poderia jamais sofrer um aborto com consentimento da mãe tão malvada. Aliás, pode uma mãe não sentir-se radiante de felicidade ao saber que seria avó de gêmeos? Estou estupefata com a excelência desse coro de horrores. Não percam tempo vivendo suas vidas, preocupem-se com as vidas dos outros, como sempre foi. Não se mexe em time que está ganhando, não é mesmo? Estamos indo tão bem até agora, que é incontestável o sucesso da evolução da humanidade. Louvados sejam vossos genes!! Viva os senhores da razão! Realmente merecemos, enquanto gênero humano, todas as agruras que nos abatem. Gostamos de sofrer? Não, mas alguém tem que ser culpado de alguma coisa, para que possamos nos deleitar imaginando castigos e punições. Há no mundo imagem mais bonita que a de Jesus pregado na cruz? Quem sabe, a de "bruxas" ardendo nas fogueiras... Fiquem com deus - o de vocês - que eu fico com o Meu.
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(referente a comentários publicados no site da revista época, acerca da reportagem: estou grávida da minha namorada)
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quinta-feira, 19 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
devaneei
- Eu às vezes tenho um estranhamento tão grande - o mundo inteiro me parece alheio. Ou eu a ele. Este momento é repleto de sensações que, embora familiares, me são irremediavelmente indescritíveis. E sou completamente tomada por elas - do juízo até o último poro - então, a constatação da loucura! Ímpeto arrebatador de falar, falar, falar, falar até esvaziar tudo.
Precisão do completo vazio, como se o nada fosse sua morada - como se tivesse sido gerada do cruzamento entre o nada e o silêncio. Para completar, a garantia da incompreensão. Ninguém, ninguém jamais saberia do que estava falando - se realmente falasse. Fugira-lhe a poesia. Faltavam-lhe o verso e a bossa. Sentia-se nebulosa - pensava-se esquizofrênica (o que talvez não fosse o diagnóstico preciso) mas era assim que se sentia. Era invadida por pensamentos cuja origem lhe era duvidosa. Seriam seus, os pensamentos? vozes vindas de dentro da sua cabeça querendo falar por ela - falar no seu lugar. Tentava em vão defender-se, buscar a origem, o destino a intenção dos pensamentos que a contaminavam. Tinha a nítida impressão de que seria mantida em cativeiro pelo que corria no fundo do que havia de mais dentro dela(?). Flertou a planta na janela, iluminada pelo pequeno abajur. Sentiu-se acolhida pela pequena passiflora, que despertou nela a ternura que parecia ter-se esvaído. Conversou muito com a plantinha; e se entendeu um pouco: assimilara alguns padrões de comportamento que não lhe eram inerentes antes dos relacionamentos anteriores. Desejou cobrir-se de astromélias e deitar-se no chão. Desejou o céu - em tons pastéis e semitons menores. Lembrou-se da poesia em sua constituição e sentiu apertar o peito como quem recebe um abraço dum urso.
Precisão do completo vazio, como se o nada fosse sua morada - como se tivesse sido gerada do cruzamento entre o nada e o silêncio. Para completar, a garantia da incompreensão. Ninguém, ninguém jamais saberia do que estava falando - se realmente falasse. Fugira-lhe a poesia. Faltavam-lhe o verso e a bossa. Sentia-se nebulosa - pensava-se esquizofrênica (o que talvez não fosse o diagnóstico preciso) mas era assim que se sentia. Era invadida por pensamentos cuja origem lhe era duvidosa. Seriam seus, os pensamentos? vozes vindas de dentro da sua cabeça querendo falar por ela - falar no seu lugar. Tentava em vão defender-se, buscar a origem, o destino a intenção dos pensamentos que a contaminavam. Tinha a nítida impressão de que seria mantida em cativeiro pelo que corria no fundo do que havia de mais dentro dela(?). Flertou a planta na janela, iluminada pelo pequeno abajur. Sentiu-se acolhida pela pequena passiflora, que despertou nela a ternura que parecia ter-se esvaído. Conversou muito com a plantinha; e se entendeu um pouco: assimilara alguns padrões de comportamento que não lhe eram inerentes antes dos relacionamentos anteriores. Desejou cobrir-se de astromélias e deitar-se no chão. Desejou o céu - em tons pastéis e semitons menores. Lembrou-se da poesia em sua constituição e sentiu apertar o peito como quem recebe um abraço dum urso.
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