terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

não pode?

Experimento agora um sorriso que me revela músculos nunca antes utilizados - sim, eu tenho covinhas! Quando o encontro acontece de verdade, não há dúvida, medo ou confusão: é-se plenamente. Jamais ousei intentar me sentir plena. Em carne viva não há plenitude - mentira! Pode não ter havido a intenção da mentira, mas estou plenamente viva, ainda que assim contrarie tudo o que foi vivido até aqui. O tamanho do sorriso: GG. A proposta do relacionamento: família! A sociedade em relação a isso - que se exploda! Querer é poder? Ora, vai saber... Quem duvida, que procure o seu! O que é meu estava guardado - e eu achei!!! Ser uma mulher de quase trinta é incrivelmente gostoso e me parece que daqui pra lá só melhora... Mesmo com tantos obstáculos, de mãos dadas é mais seguro - e muito mais gostoso! - quem tem, tem; quem não tem não sabe do que se trata. O trato é fino e o acordo, tácito. Cuidado é sempre com carinho... O respeito pelo(s) tempo(s), os domingos mais incríveis, nossas bossas, nosso jazz, uma vida no plural - a criança que ainda vem - os sonhos não revelados, sequer intimamente admitidos, todas as questões, tudo compartilhado: VIVER junto.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

cuidado com o que procuras...

ao ser constatado que nada havia de errado com a vesicula, sua médica lhe encaminhou para uma endoscopia digestiva. não queria realizar o exame em lugar completamente desconhecido, portanto procurou indicações. a única indicação que encontrou, foi de uma de suas chefes - e acredite, onde trabalha, são muitos os chefes. esta, disse que o médico era incrível; muitíssimo atencioso, cuidadoso; a clínica super limpinha, bem equipada - deu até o nome da secretária juntamente com os telefones para marcar seu exame. sentiu-se bem amparada, pois tinha recebido indicação do lugar e do médico, além de ótimas referencias. telefonou e conseguiu uma data para a semana seguinte, o que trouxe certo alívio - queria descobrir logo a razão de ter ido parar no hospital três vezes em quase quarenta dias. no dia marcado, dirigiu-se - acompanhada - para a tal clínica super limpinha e bem equipada. encontrou facilmente o local e tocou a campanhia. o portão de grade se abriu, e entrou com sua acompanhante. não entendeu muito bem, não havia ninguém ali em baixo para encaminhá-las para lugar algum - sabia que era no terceiro andar - então subiram um lance de escadas. que para grande espanto e desconforto, dava num corredor em obras, de frente a um salão também em obras - ambos abandonados! e em pleno dia de semana. desceram ressabiadas - não era apenas aquela entrada macabra que parecia abandonada, mas todo o segundo andar também. chegando novamente lá em baixo, encontraram uma faxineira muito bonita, com um sorriso encantador e meio mórbido - como se já pertencesse a outro plano astral - que as mostrou o elevador: uma portinhola seguida de uma gradezinha que dava num cubículo estreitíssimo e (pasmem!) espelhado. disse que só uma pessoa subiria por vez - realmente, ali, mal cabia uma pessoa sozinha. preferiram não subir naquele troço e perguntaram pela escada que as levasse ao terceiro andar. a faxineira muito bonita e ainda com o mesmo e imutável sorriso meio mórbido, as acompanhou pelo mesmo primeiro lance de escadas que haviam subido, e chegaram ao mesmo segundo andar completamente abandonado. sem dizer palavra, a moça apontou o corredor em obras e abandonado. seguiram, então, ainda ressabiadas. deram num segundo lance de escadas. subiram. chegaram enfim, a um longo corredor e conforme seguiam em frente, aparecia nas paredes do corredor, uma decoração com quadros de mulheres semi nuas - e completamente nuas também! um desconforto silencioso arrebatou cada uma, individualmente. até que finalmente chegaram ao consultório de destino. a secretária pediu-lhe os documento e disse que esperasse ser chamada para assinar. alguns minutos se passaram. ao lado delas, uma mulher aguardava tranquila. de repente, um homem de branco e máscara, sai empurrando uma mulher pelo cotovelo e sem dizer palavra, a atira no sofá ao lado da outra que ali se encontrava. a mulher que foi jogada no sofá, estava completamente dopada e sua voz se alternava em muito grave e extremamente aguda. o desconforto foi gigantesco nas moças que aguardavam e entre olharam-se em pânico velado. uma delas perguntou à mulher: ela fez endoscopia digestiva? fez sim - respondeu a mulher que antes esperava tranquila e agora permanecia tranquila. e antes que pudessem dizer qualquer coisa, ouviu seu nome, chamado pela secretária. a mulher tranquila disse: boa sorte! vai com deus! levantou-se com o corpo gelado. olhou profundamente para sua acompanhante e silenciosamente gritou por socorro. dirigiu-se até a secretária. definitivamente não entraria em lugar algum desacompanhada - mas temia pelas duas: ela mesma e sua acompanhante. quando a secretária disse: desculpe-me, senhora. não atendemos mais, especificamente, seu plano de saúde. apanhou rapidamente seus documentos, agarrou sua acompanhante pela mão e sairam dali a passos largos e rápidos. foi um alívio indescritível!

moral da história?

indicação de ú é ôla!

quinta-feira, 19 de março de 2009

* glória a vós, senhores

Fico até emocionada ao ver que ainda hoje há quem faça julgamento de valores com maior despudor que aquele com o qual fumo meus cigarros. Parabéns aos que são donos da razão e conhecem inclusive a verdade do deus. Por favor, não mudem! Mantenham-se assim. É incomensurável a alegria da constatação de que as pessoas se preocupam tanto umas com as vidas das outras. AS VIDAS DAS OUTRAS... pena que essa preocupação não se aproxime de tornar-se solidariedade. Não me surpreenderia se fizessem coro ao arcebispo de Recife. Afinal, é claro que ele tem razão: a menina de nove anos, não poderia jamais sofrer um aborto com consentimento da mãe tão malvada. Aliás, pode uma mãe não sentir-se radiante de felicidade ao saber que seria avó de gêmeos? Estou estupefata com a excelência desse coro de horrores. Não percam tempo vivendo suas vidas, preocupem-se com as vidas dos outros, como sempre foi. Não se mexe em time que está ganhando, não é mesmo? Estamos indo tão bem até agora, que é incontestável o sucesso da evolução da humanidade. Louvados sejam vossos genes!! Viva os senhores da razão! Realmente merecemos, enquanto gênero humano, todas as agruras que nos abatem. Gostamos de sofrer? Não, mas alguém tem que ser culpado de alguma coisa, para que possamos nos deleitar imaginando castigos e punições. Há no mundo imagem mais bonita que a de Jesus pregado na cruz? Quem sabe, a de "bruxas" ardendo nas fogueiras... Fiquem com deus - o de vocês - que eu fico com o Meu.

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(referente a comentários publicados no site da revista época, acerca da reportagem: estou grávida da minha namorada)

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terça-feira, 3 de março de 2009

devaneei

- Eu às vezes tenho um estranhamento tão grande - o mundo inteiro me parece alheio. Ou eu a ele. Este momento é repleto de sensações que, embora familiares, me são irremediavelmente indescritíveis. E sou completamente tomada por elas - do juízo até o último poro - então, a constatação da loucura! Ímpeto arrebatador de falar, falar, falar, falar até esvaziar tudo.
Precisão do completo vazio, como se o nada fosse sua morada - como se tivesse sido gerada do cruzamento entre o nada e o silêncio. Para completar, a garantia da incompreensão. Ninguém, ninguém jamais saberia do que estava falando - se realmente falasse. Fugira-lhe a poesia. Faltavam-lhe o verso e a bossa. Sentia-se nebulosa - pensava-se esquizofrênica (o que talvez não fosse o diagnóstico preciso) mas era assim que se sentia. Era invadida por pensamentos cuja origem lhe era duvidosa. Seriam seus, os pensamentos? vozes vindas de dentro da sua cabeça querendo falar por ela - falar no seu lugar. Tentava em vão defender-se, buscar a origem, o destino a intenção dos pensamentos que a contaminavam. Tinha a nítida impressão de que seria mantida em cativeiro pelo que corria no fundo do que havia de mais dentro dela(?). Flertou a planta na janela, iluminada pelo pequeno abajur. Sentiu-se acolhida pela pequena passiflora, que despertou nela a ternura que parecia ter-se esvaído. Conversou muito com a plantinha; e se entendeu um pouco: assimilara alguns padrões de comportamento que não lhe eram inerentes antes dos relacionamentos anteriores. Desejou cobrir-se de astromélias e deitar-se no chão. Desejou o céu - em tons pastéis e semitons menores. Lembrou-se da poesia em sua constituição e sentiu apertar o peito como quem recebe um abraço dum urso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

novidade

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Já dizia
Nostradamus: lavô tá
novo!
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

por não saber desenhar

foi por não saber desenhar, que, em silêncio assisti a chuva escorrendo no vidro pelo lado de fora da janela. por não saber desenhar, meus olhos também choveram. por não saber desenhar, acabei engolindo palavras de gosto duvidoso e vomitando as que mais gostava. também por não saber desenhar, vi secar secar o olhar que sempre me viu com carinho. e por não saber desenhar me lembro de todas as flores. por não saber desenhar, às vezes me perco de mim - em mim. e por não saber desenhar me lanço no mundo a vagar quando me faltam palavras. por não saber desenhar, faço triste quem gosto de. é por não saber desenhar que me sinto pequenininha. por não saber desenhar, é que olho o céu quando não entendo. por não saber desenhar, não posso ler partitura. é por não saber desenhar que calo-me consternada.

e por não saber desenhar, vejo dois corações partidos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

a( i)lusão

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Caracóis alados em iluminados cotornos de padra sabão,

suspeitos se espreitam se espetam derretem e(m) vão.

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