quarta-feira, 21 de outubro de 2009

cuidado com o que procuras...

ao ser constatado que nada havia de errado com a vesicula, sua médica lhe encaminhou para uma endoscopia digestiva. não queria realizar o exame em lugar completamente desconhecido, portanto procurou indicações. a única indicação que encontrou, foi de uma de suas chefes - e acredite, onde trabalha, são muitos os chefes. esta, disse que o médico era incrível; muitíssimo atencioso, cuidadoso; a clínica super limpinha, bem equipada - deu até o nome da secretária juntamente com os telefones para marcar seu exame. sentiu-se bem amparada, pois tinha recebido indicação do lugar e do médico, além de ótimas referencias. telefonou e conseguiu uma data para a semana seguinte, o que trouxe certo alívio - queria descobrir logo a razão de ter ido parar no hospital três vezes em quase quarenta dias. no dia marcado, dirigiu-se - acompanhada - para a tal clínica super limpinha e bem equipada. encontrou facilmente o local e tocou a campanhia. o portão de grade se abriu, e entrou com sua acompanhante. não entendeu muito bem, não havia ninguém ali em baixo para encaminhá-las para lugar algum - sabia que era no terceiro andar - então subiram um lance de escadas. que para grande espanto e desconforto, dava num corredor em obras, de frente a um salão também em obras - ambos abandonados! e em pleno dia de semana. desceram ressabiadas - não era apenas aquela entrada macabra que parecia abandonada, mas todo o segundo andar também. chegando novamente lá em baixo, encontraram uma faxineira muito bonita, com um sorriso encantador e meio mórbido - como se já pertencesse a outro plano astral - que as mostrou o elevador: uma portinhola seguida de uma gradezinha que dava num cubículo estreitíssimo e (pasmem!) espelhado. disse que só uma pessoa subiria por vez - realmente, ali, mal cabia uma pessoa sozinha. preferiram não subir naquele troço e perguntaram pela escada que as levasse ao terceiro andar. a faxineira muito bonita e ainda com o mesmo e imutável sorriso meio mórbido, as acompanhou pelo mesmo primeiro lance de escadas que haviam subido, e chegaram ao mesmo segundo andar completamente abandonado. sem dizer palavra, a moça apontou o corredor em obras e abandonado. seguiram, então, ainda ressabiadas. deram num segundo lance de escadas. subiram. chegaram enfim, a um longo corredor e conforme seguiam em frente, aparecia nas paredes do corredor, uma decoração com quadros de mulheres semi nuas - e completamente nuas também! um desconforto silencioso arrebatou cada uma, individualmente. até que finalmente chegaram ao consultório de destino. a secretária pediu-lhe os documento e disse que esperasse ser chamada para assinar. alguns minutos se passaram. ao lado delas, uma mulher aguardava tranquila. de repente, um homem de branco e máscara, sai empurrando uma mulher pelo cotovelo e sem dizer palavra, a atira no sofá ao lado da outra que ali se encontrava. a mulher que foi jogada no sofá, estava completamente dopada e sua voz se alternava em muito grave e extremamente aguda. o desconforto foi gigantesco nas moças que aguardavam e entre olharam-se em pânico velado. uma delas perguntou à mulher: ela fez endoscopia digestiva? fez sim - respondeu a mulher que antes esperava tranquila e agora permanecia tranquila. e antes que pudessem dizer qualquer coisa, ouviu seu nome, chamado pela secretária. a mulher tranquila disse: boa sorte! vai com deus! levantou-se com o corpo gelado. olhou profundamente para sua acompanhante e silenciosamente gritou por socorro. dirigiu-se até a secretária. definitivamente não entraria em lugar algum desacompanhada - mas temia pelas duas: ela mesma e sua acompanhante. quando a secretária disse: desculpe-me, senhora. não atendemos mais, especificamente, seu plano de saúde. apanhou rapidamente seus documentos, agarrou sua acompanhante pela mão e sairam dali a passos largos e rápidos. foi um alívio indescritível!

moral da história?

indicação de ú é ôla!

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